MPMG e polícias militar e civil aponta uso de redes sociais e aplicativos falsos para aplicar golpes
Um grupo é investigado por atrair vítimas com promessas de altos rendimentos em investimentos, utilizando anúncios patrocinados nas redes sociais, grupos de WhatsApp e até aplicativos falsos que simulavam plataformas de instituições financeiras. O esquema, alvo da Operação Máscara Oculta, movimentou mais de R$ 15 milhões por meio de seis empresas de fachada, segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
A operação foi realizada na manhã desta quarta-feira (5/8) pelo MPMG, em conjunto com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte e Contagem, na Região Metropolitana. A investigação apura crimes de estelionato digital, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
De acordo com o promotor de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet) de Varginha, Daniel Ribeiro Costa, a investigação começou após uma vítima procurar o Ministério Público relatando ter perdido dinheiro em um suposto investimento divulgado pelas redes sociais.
“O Ministério Público foi procurado por uma vítima que teria caído em um golpe em investimentos a partir de redes sociais. Diante disso nós começamos essa investigação e identificamos de fato que havia um grupo criminoso que se utilizava de iscas em redes sociais para angariar vítimas interessadas em investimentos. Essas vítimas eram direcionadas para grupos de WhatsApp onde passavam a receber orientações de mentores em investimentos que na verdade eram criminosos”, explicou.
Segundo o promotor, o grupo utilizava uma estratégia para transmitir credibilidade. Além dos supostos mentores, outros integrantes do esquema se passavam por investidores satisfeitos e afirmavam que estavam obtendo altos lucros, incentivando novos depósitos. “Havia toda uma engenharia social do grupo criminoso porque além do grupo de WhatsApp eles também foram capazes de desenvolver aplicativos de celular que davam uma maior confiança, uma maior confiabilidade das vítimas que viam ali uma formatação própria de uma instituição financeira”, disse.
As vítimas eram orientadas a transferir dinheiro para empresas criadas pelos criminosos, muitas delas com nomes semelhantes aos de instituições conhecidas do mercado financeiro. Após os depósitos, recebiam informações sobre supostos rendimentos, mas, quando tentavam resgatar o valor investido, descobriam que haviam sido vítimas de um golpe.
O promotor destacou que os criminosos prometiam rendimentos muito acima dos praticados pelo mercado, um dos principais sinais de alerta para esse tipo de fraude. “São lucros que estão muito acima do normal da taxa do mercado que você consegue um investimento com instituições financeiras autorizadas a atuar. Toda vez que a gente se deparar com promessas de rendimentos muito exacerbados, muito fora do comum, é um sinal de alerta”, destacou.
Empresas movimentaram R$ 15 milhões
Até o momento, os investigadores identificaram seis empresas utilizadas pelo grupo criminoso, que movimentaram aproximadamente R$ 15 milhões.
Segundo Daniel Ribeiro Costa, as empresas eram abertas em nome de laranjas e funcionavam por curtos períodos. Em um dos casos, uma delas recebeu R$ 5 milhões em apenas 45 dias antes de encerrar as atividades. “Nós chegamos a um número de seis empresas que movimentaram aproximadamente 15 milhões de reais. Essas empresas tinham uma forma de funcionamento muito peculiar. Além de serem constituídas em nome de laranjas, tinham um curtíssimo espaço de tempo de efetivo funcionamento”, explicou.
Apesar do rastreamento das movimentações financeiras, o Ministério Público informou que ainda não pediu o bloqueio dos valores. “Nós ainda não fizemos o pedido de bloqueio do dinheiro porque ele movimenta-se muito rápido e a movimentação financeira é feita em várias camadas. Temos seguido o entendimento de seguir o dinheiro para tentar chegar efetivamente onde ele se encontra para aí sim fazer os pedidos de bloqueio”, afirmou o promotor.
Três alvos identificados
Nesta fase da operação, foram realizadas buscas contra três suspeitos, todos homens com idade entre 40 e 50 anos. Alguns deles possuem antecedentes por estelionato e violência doméstica.
As investigações também vão apurar a participação dos laranjas. Segundo o promotor, a hipótese é que essas pessoas tenham concordado em participar da fraude em troca de pequenas comissões.



