O deputado federal Lafayette Andrada defende medidas mais rígidas para conter os impactos provocados pela expansão das apostas online no Brasil. Para o parlamentar, a publicidade das chamadas bets contribui para a popularização de uma atividade que pode causar dependência, comprometer a renda e levar famílias ao endividamento.
A posição está relacionada ao Projeto de Lei 3.577/2026, apresentado por Lafayette na Câmara dos Deputados em julho deste ano. A proposta prevê a proibição da publicidade, do patrocínio e da promoção comercial de apostas de quota fixa e jogos online, além de medidas de proteção ao consumidor e de prevenção ao jogo patológico.
Segundo Lafayette, a exposição constante às propagandas, inclusive por meio de plataformas digitais e estratégias direcionadas por algoritmos, pode estimular o comportamento compulsivo. O deputado compara a situação à regulamentação aplicada ao cigarro, argumentando que, assim como a publicidade de produtos de tabaco foi restringida diante dos riscos de dependência, as bets também deveriam deixar de utilizar a propaganda como ferramenta de atração de consumidores.
“A expansão das apostas exige responsabilidade e atenção aos impactos sobre as famílias”, afirma Lafayette. Na avaliação do parlamentar, o problema ultrapassa a esfera individual e pode atingir diretamente o orçamento doméstico, transformando uma atividade apresentada como entretenimento em dívidas e dificuldades financeiras.
A discussão sobre os efeitos das apostas ganhou força no país. O Ministério da Saúde, por exemplo, passou a tratar o jogo problemático também como uma questão de saúde pública, enquanto dados recentes apontam preocupação com a exposição de jovens às bets e com os impactos financeiros e psicológicos da prática.
Para Lafayette, a publicidade precisa ser enfrentada de forma definitiva. “A proposta é proibir qualquer tipo de propaganda de bets, porque não podemos permitir que uma atividade com potencial de causar dependência seja divulgada de maneira tão intensa para a população”, defende o deputado. A proposta apresentada por ele ainda aguarda despacho do presidente da Câmara.



