Impasse entre PT e PL trava articulações em MG; sem definições, partidos chegam às convenções

A uma semana do início das convenções partidárias — etapa em que os partidos oficializam candidaturas, alianças e coligações — o cenário eleitoral em Minas Gerais ainda é marcado por incertezas. As legendas caminham para esse momento sem acordos consolidados e, em muitos casos, sem a definição de quem representará a disputa pelo Governo do Estado. Em contrapartida, a corrida pelas duas vagas ao Senado Federal apresenta um quadro mais claro.

As maiores indefinições estão concentradas no Partido dos Trabalhadores (PT) e no Partido Liberal (PL), principais protagonistas da polarização política nacional. Ambas as siglas chegam às convenções sem definir o nome que disputará a sucessão do ex-governador Romeu Zema (Novo), situação que também influencia o posicionamento de outras legendas, que aguardam essas decisões para formalizar alianças e apoios.

A falta de definição entre PT e PL também repercute na disputa pela Presidência da República. Segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente decisivo nas eleições presidenciais, Minas Gerais é um dos poucos estados onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda não sabem quem comandará seus respectivos palanques estaduais. De acordo com o calendário da Justiça Eleitoral, as convenções têm início na próxima segunda-feira (20) e seguem até o dia 5 de agosto.

Encerrada essa etapa, os partidos deverão registrar as chapas aprovadas nas convenções junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o dia 15 de agosto.

Para o cientista político e professor do Ibmec, Adriano Cerqueira, o cenário mineiro é naturalmente mais complexo devido à diversidade de interesses regionais. Segundo ele, Minas Gerais é um dos poucos estados em que nem mesmo um prefeito da capital consegue, automaticamente, transformar sua liderança local em uma candidatura competitiva ao governo estadual. O especialista destaca que construir uma candidatura viável em Minas exige ampla articulação política, reunindo diferentes partidos, conciliando interesses regionais e, em alguns casos, buscando o apoio de lideranças ou legendas com grande popularidade.